Ela chora, chora, não aguenta mais e chora, suas lágrimas contém a amargura do céus, os desejos ocultos dos anjos, chora e dança, sua dança é triste, mas bela, por vezes alegre, mas a tristeza inunda a dança de uma forma poética, não é falsa moral. É só mais uma dança, mais uma noite, mais um dia, mais uma vida. Rumo à eternidade.
Dança, Carolina, dança! Ela só quer relaxar, dançar, brincar, fingir de rir, de ser, de estar, só quer mais um abraço. Mais um torturante abraço.
O mundo, doido, não consegue pensar, ela enlouquece com o mundo. Dança. Dança.
É a dança em espiral, rumo ao inferno, é quente, mas o frio preenche seu corpo. O frio a faz parar
a dança
olha
chora.
Pode destruir mundos, pode lutar contra si mesma, quebrar o próprio braço, quebrar qualquer coisa próxima, mas de que adiantaria? Precisa da música, da poesia.
Ela samba, tímida, mas samba.
Como numa manhã sem nuvens, depois da tempestade.
O corpo pede trégua, dorme quando não quer, não espera. Adormece. Feito pedra. Feito vadio na sarjeta.
Luta Carolina, viva Carolina, ama Carolina. A tempestade passa e uma hora tudo seca.
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