terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Entre dois corpos

em ti me vejo
sem mim
fico entre o espaço
inapropiado, pequeno
para a existência de um ser

fugitivo, furtivo
de si, para si

tudo não basta
nada é só o começo

meu vazio começa dentro do teu
tua garganta grita, sem voz
a minha foge do próprio grito

Liberta-te
de ti
de tudo
do mundo

Dois fantasmas pairados
ante um espelho
[sem reflexo]
distantes,
sem notar a si.

resgata
resguarda
que eu já me perdi

meus dedos rachados,
as unhas encravadas;
esqueceram da habilidade
fogem do próprio abandono
da dor e fortuna

um ser sem ser.