a lua distante
quero alcança-la
mas os braços,
dos abraços
vazios
cheios
de névoas
enevoando
o olhar
envenenado,
fraquejam
curiosas crateras
que fascinam
voa
vinde
fica
que minha sede é grande
e o sangue me falta
mas a lua
imensa
alumia o céu
e a rua
escura
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
a beira
Cascalho
que chocalha
em choro e chama
do chão
no pé
chamego belisco
rasga chita
e chega ao fim
de areia
que chocalha
em choro e chama
do chão
no pé
chamego belisco
rasga chita
e chega ao fim
de areia
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
entre vãos
no escuro
a mão estendida
pende ao nada
espera
[em vão]
tateia as paredes
o teto
busca outra
agarra
como abraço
encontrou
[o vão]
a mão estendida
pende ao nada
espera
[em vão]
tateia as paredes
o teto
busca outra
agarra
como abraço
encontrou
[o vão]
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
arretado
Vinde lá, meu boiadero
que'ssa noite vou dançar
baião sem pensar
até na barra da saia pisar
Vinde lá, seu boiadero
que hoje o dia é festero
a chuva é amena
e o calor é manso
Vinde lá, meu boiadero
tamborilar até o chão rachar
das horas às cores do barro
bebericar d'agua braba
Vinde lá, seu boiadero
que a cabra laçada na árvore
fita o gado a correr d'ocê
hoje não é dia matar, seu açoitero
Eu pudia é canturilá
até a voz faia
mas meu camarada se vai
então vou é farria
que'ssa noite vou dançar
baião sem pensar
até na barra da saia pisar
Vinde lá, seu boiadero
que hoje o dia é festero
a chuva é amena
e o calor é manso
Vinde lá, meu boiadero
tamborilar até o chão rachar
das horas às cores do barro
bebericar d'agua braba
Vinde lá, seu boiadero
que a cabra laçada na árvore
fita o gado a correr d'ocê
hoje não é dia matar, seu açoitero
Eu pudia é canturilá
até a voz faia
mas meu camarada se vai
então vou é farria
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Efêmero
Flutuante alma
perene
perdida
por entre campos
fica na'água
que escolhe o rio
desce ao mar
junta o sal
sobe ao céu
para ser rio [retorno]
fita o mar
e quem sabe,
a praia beijar.
perene
perdida
por entre campos
fica na'água
que escolhe o rio
desce ao mar
junta o sal
sobe ao céu
para ser rio [retorno]
fita o mar
e quem sabe,
a praia beijar.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
corrompido tempo
Brinca, brinca
me deixa correr
pra trás
e voltar
brinca, brinca
deixa viver
de novo
as cantigas
me deixa ver
o céu azul
o caminho claro
florido, colorido
desconhecer a verdade
só uma vez mais
acreditar [fingir]
que o mundo é puro
me deixa correr
pra trás
e voltar
brinca, brinca
deixa viver
de novo
as cantigas
me deixa ver
o céu azul
o caminho claro
florido, colorido
desconhecer a verdade
só uma vez mais
acreditar [fingir]
que o mundo é puro
sábado, 3 de janeiro de 2009
espectros
as imagens: o pesadelo
pequenas assombrações
não querem partir
jaz aqui, antes do assassinato
porque a dó
cansa e amarga
arranca a carcaça
cospe na cara
dó? diga: é piada
estigmas do anjo na Terra
sangram envenando os santos
e no chão fica o rastro
fita cada passo enegrecido
canta o hino da morte
celebrando a estupidez humana
que acredita nas cores do arcoíris
mesmo sendo só ilusão
Grita: morre, desgraçado!
pequenas assombrações
não querem partir
jaz aqui, antes do assassinato
porque a dó
cansa e amarga
arranca a carcaça
cospe na cara
dó? diga: é piada
estigmas do anjo na Terra
sangram envenando os santos
e no chão fica o rastro
fita cada passo enegrecido
canta o hino da morte
celebrando a estupidez humana
que acredita nas cores do arcoíris
mesmo sendo só ilusão
Grita: morre, desgraçado!
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
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