sábado, 30 de agosto de 2008

momento de luz

e desesperada ali, ela pega a faca
crava
no meio do peito
o vermelho está em toda a parte agora
nos olhos as águas que se fundem
caindo
ela vê a luz
da geladeira que ficou aberta

[...]
mas agora está tudo bem,
alguém fechou a porta.

domingo, 24 de agosto de 2008

o mais incrível da vida é ver que os limites que colocamos não existem
Eu só espero o carnaval voltar
Eu acho que é velhice precoce, mas não suporto mais as pessoas.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A impetuosa

pôs-se de pé, diante do sol
a cabeça erguida e os pés descalços
eis aqui posta ao sol esperando a tempestade
que

c a i

flui
com gotas de sangue
amargo
do seu coração fechado,
imita a luz do sol
mas sol jamais será!
enquanto perdurar essa paixão
chamada ódio.

e eu me ponho ante a chuva,
Dos cabelos escorrem as larvas,
de meu corpo limpa o sangue,
não faz parte de mim
não é a mim
meu sangue não cai
o que vês é o pus das feridas

As nuvens ocultam o sol
o frio e o vento
varrem brutalmente todas as memórias
todas as histórias

cadê as verdades?
cadê você? e eu?
seu desejo é sua maldição
coberto de sombra e dor
teus olhos escuros e vermelhos
criam versos bagunçados
esquecidos
perdidos

são palavras

s o l t a s
em vão
tudo fôra.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

a procura

e o pássaro procura desesperadamente pelo galhinho certo que vai preencher o buraco que ficou no seu ninho, depois da tempestade está limpo, mas falta um pedaço.

Passagem

Ali, aquele rosto conhecido, mas de onde? por quê? Há anos ela não via aquela pessoa, ao menos parecia, e por uma distância curiosa de meio metro estavam lá, na porta do metro, entre troca de olhares e passos parecidos. Foram 5 segundos mudos.

sábado, 9 de agosto de 2008

observação

As pessoas têm os sonhos nas mãos e a realidade nos pés, mas ainda assim teimam em trocar e colocar os sonhos nos pés e a realidade nas mão. Cada passo é uma ilusão. Eu poderia mostrar o céu, poderia voar e contar sobre cada estrela. Mas não tenho vontade de pegar na mão de qualquer pessoa, ou de mostrar as estrelas pra quem só vê o chão e não entende os céus. Meu vazio é meu amor. Eu amo como nunca amei, meu coração inquieto sabe que o amor deve ser grandioso, acima de tudo, é um sentimento que qualquer pessoa não compreende. Quero eu falar desse amor divino, mas é em vão. Quem vai me ouvir? Não posso mentir, não posso dizer aquilo que não acredito para agradar.
Nesse mundo, só resta acreditar no amor sublime, meus irmãos estão em todos os lugares. Ah! De pensar assim me extasio, quanto amor. É muito egoísmo eu querer focar em um único ponto se tão grande meu coração, pode amar a todos e ver a igualdade em todos os seres.
Quero eu falar e voar, mas o momento é do silêncio, que minha incompreensão é minha indecisão. Mas meu coração acredita e sabe o que quer, mas ainda não é hora dele se realizar. Eu sinto a paz. Mas agora é a ansiedade que o perturba, a ansiedade da cidade, das diferenças, da poluição.
Talvez seja o sândalo que purifica minha alma. A garoa e o frio me parecem mais encantadores que nunca, e no olhar dos meus irmão eu quero ver o sorriso mais sincero e o abraço mais compassível.