quanto tá?
trezentas gramas
é grana na mão
se tá ligado, é da boa, irmão!
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
O mistério
Era um homem, também do outro lado tinha uma mulher, no pulso, os dois, um símbolo, umas letras, estranhas, era outra língua, tenho certeza. O cigarro anuncia algo, os olhos arroxeados, provavelmente a magia negra escureceu sua aura. Não sei o que é aquele símbolo, mas é provável que seja um rito ou um grupo de magos antigos nos tempos modernos, que se juntam às sextas-feiras, bebem vinho e conjuram palavras estranhas.
Todo o dia o símbolo, as letras, o cigarro e o roxo. Posso ver a capa que lhe cobre as costas, e oculta o queixo, sob a luz do fogo, o caldeirão aquece a moça do outro lado, bela, púrpura, à conjurar também, de braços abertos. A roupa é preta.
Que símbolo, aquele símbolo, aquelas letras.
– Me desculpa a pergunta indiscreta e curiosa, mas o que significa esse símbolo tatuado em seu pulso?
– Está vendo aqui, isso é uma estrela de David com ornamentos, você reparou que minha mulher tem uma também? Somos judeus, e em baixo da minha tem o nome dela em hebraico e nela o meu nome.
–... que bonito.
Todo o dia o símbolo, as letras, o cigarro e o roxo. Posso ver a capa que lhe cobre as costas, e oculta o queixo, sob a luz do fogo, o caldeirão aquece a moça do outro lado, bela, púrpura, à conjurar também, de braços abertos. A roupa é preta.
Que símbolo, aquele símbolo, aquelas letras.
– Me desculpa a pergunta indiscreta e curiosa, mas o que significa esse símbolo tatuado em seu pulso?
– Está vendo aqui, isso é uma estrela de David com ornamentos, você reparou que minha mulher tem uma também? Somos judeus, e em baixo da minha tem o nome dela em hebraico e nela o meu nome.
–... que bonito.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
o inconveniente
meu perfume francês
foi inibido pelo cheiro de merda
do homem
que
ca ga va
atrás do peugeot
e com olhos culposos
viu meus olhos
curiosos
foi inibido pelo cheiro de merda
do homem
que
ca ga va
atrás do peugeot
e com olhos culposos
viu meus olhos
curiosos
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
ar
entra devagar
como mar adentro
a fora
pra fora
onda vem
fica
enche
sai
no va me n te
devagar
suspiro
prende
fica
sai
mais rápido
renova
nova
como mar adentro
a fora
pra fora
onda vem
fica
enche
sai
no va me n te
devagar
suspiro
prende
fica
sai
mais rápido
renova
nova
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
entre corpo e alma
pula
mais uma vez
até
se cansar
os pés
fadigar
o corpúsculo
sedento
e então
a felicidade
vem
uma hora
ou outra
vem dà euforia
morfina
maravilhosa!
limpa
minh'alma
ela quer dançar
mas só o corpo
impede
cantigo-lamento
prende
talvez ninguém
mereça
tanta compaixão
nada é certo
tudo é mentira
e ela a dançar
só quer
mais uma valsa
eterna!
mais uma vez
até
se cansar
os pés
fadigar
o corpúsculo
sedento
e então
a felicidade
vem
uma hora
ou outra
vem dà euforia
morfina
maravilhosa!
limpa
minh'alma
ela quer dançar
mas só o corpo
impede
cantigo-lamento
prende
talvez ninguém
mereça
tanta compaixão
nada é certo
tudo é mentira
e ela a dançar
só quer
mais uma valsa
eterna!
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
nas ruas
só mais um trago
por favor
rápido
com a carcaça
da caneta bic
o ultimo
tiro
no meio da rua
entre crianças
se consome
a fuga
é maravilhosa
a vida
é um prazer
a qualquer custo
ele consegue
o que quer
nem mais o sangue
ou o mijo
tem importância
é o que não vê
toda a sujeira
ao redor e dentro de si
na sarjeta sangrenta
posso ser
quantas pessoas
quiser
se tiver meu bem
tudo é só
questão de ver
o que está em todos os lugares
e a manhã
é a ressaca
da noite
de mais uma noite
por favor
rápido
com a carcaça
da caneta bic
o ultimo
tiro
no meio da rua
entre crianças
se consome
a fuga
é maravilhosa
a vida
é um prazer
a qualquer custo
ele consegue
o que quer
nem mais o sangue
ou o mijo
tem importância
é o que não vê
toda a sujeira
ao redor e dentro de si
na sarjeta sangrenta
posso ser
quantas pessoas
quiser
se tiver meu bem
tudo é só
questão de ver
o que está em todos os lugares
e a manhã
é a ressaca
da noite
de mais uma noite
desejo
pecaminoso
corrói
tudo por onde passa
pensamentos
gritam
e o eco
ensurgece
me contorsso
numa tentativa
de expor
a agonia
desespero
do fundo
que não faz parte
das palavras sem jeito
que sai
de uma voz
rouca
sem esperanças
de olhos
fascinados
com o que não quer ver
é tudo
e nada
não acontece
só o vento
vício
vício
vício
Sai de mim
doce amargo
por que lhe quero mais
do que gostaria
sai de mim
só quero a liberdade
corrói
tudo por onde passa
pensamentos
gritam
e o eco
ensurgece
me contorsso
numa tentativa
de expor
a agonia
desespero
do fundo
que não faz parte
das palavras sem jeito
que sai
de uma voz
rouca
sem esperanças
de olhos
fascinados
com o que não quer ver
é tudo
e nada
não acontece
só o vento
vício
vício
vício
Sai de mim
doce amargo
por que lhe quero mais
do que gostaria
sai de mim
só quero a liberdade
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Devoção
No caminho para a igreja seu rosário se quebra, de tanto seu desespero, não consegue recolher todas as contas, rapidamente pega o máximo, guarda no bolso da frente da sua saia, os olhos arregalados, o cabelo embaraçado, olha para os lados, sua cara abatida demonstra noites sem dormir, retoma o caminho mesmo com os pés descalços e machucados. Chegando na igreja escura, ajoelha frente ao altar, pega o que sobrou do rosário, as mãos tremulas deixam escapar outras contas que tilintam ao cair no chão. Num sussurro quase grito ora;
"Pai me afasta da desgraça, me afasta da desgraça me afasta da desgraça..."
Um soluço, procedido de um suspiro.
"Dai-me luz, senhor todo poderoso, dai-me luz, dai-me luz..."
Com tanta força que aperta a cruz corta sua pele e de seus dedos escorrem o sangue, vermelho escuro.
"Pai me afasta da desgraça, me afasta da desgraça me afasta da desgraça..."
Um soluço, procedido de um suspiro.
"Dai-me luz, senhor todo poderoso, dai-me luz, dai-me luz..."
Com tanta força que aperta a cruz corta sua pele e de seus dedos escorrem o sangue, vermelho escuro.
umbral
caleidoscópio de imagens
palavras que não se cansam
em repetir
todo trunfo da ilusão
nenhum lugar
chão
amargo
nenhum andar
céu
sorridente
futuro
promissor que promete
o sol
a flor que cai da gota
da lágrima
despedaçada
o dia
despedida
sonha
cor
carne
carnaval
sonhos mais sinceros
se perde
fútil parque de diversões
sorriso amargo
dos dentes amarelados
esfacelam-se
verde
márcaras
no fundo
uma voz
retorna
à sala de espera
palavras que não se cansam
em repetir
todo trunfo da ilusão
nenhum lugar
chão
amargo
nenhum andar
céu
sorridente
futuro
promissor que promete
o sol
a flor que cai da gota
da lágrima
despedaçada
o dia
despedida
sonha
cor
carne
carnaval
sonhos mais sinceros
se perde
fútil parque de diversões
sorriso amargo
dos dentes amarelados
esfacelam-se
verde
márcaras
no fundo
uma voz
retorna
à sala de espera
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
História adormecida
nas redondezas da Libero Badaró
num adomingado feriado
lá está
por mais um dia a brilhar
minha cidade
tão linda
por vezes tão esquecidados cânticos e gritos na praça da sé
entre loucos, religiosos e executivos
pra lá e pra cá
passa teatro municipal
passa viaduto do chá
quanta história
quanta gente
que passa por aqui
largo São Francisco e suas revoluções
seus estudos e hoje sol
só
que lindo dia!
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Alegria
Pra lá e pra cá
balança sem parar
o vento gelado
brisa generosa
balança sem parar
o vento gelado
brisa generosa
acaricia
cabelo
corpo
e alma
doce dengo
corre
pula
brinca
[ciranda da vida]
dança
en canta
o canto
dos pássaros
e derrama
felicidades
nas controvérsias
dos vértices
[agudos]
é a dama
amiga do sol
prima do verão
o dia tarda
e a tarde
não vai
[mas passa]
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
sonhar
quem sonha demais é como um drogado, viciado, cego, só quer seu sonho, a qualquer custo, acredita que baratas falam e cachorros voam.
Luizinha
Perdida nos seus encantos
se perdeu
se matou
com doses homeopáticas
a sua paixão
seu desejo
levaram-na
à destruição
e só o tolo
ao seu lado
a zelá-la na desilusão
Tola
Pobre, Luizinha...
que acreditou nos poemas de amor
mas esqueceu
que algumas palavras
são símbolos
vazios
se perdeu
se matou
com doses homeopáticas
a sua paixão
seu desejo
levaram-na
à destruição
e só o tolo
ao seu lado
a zelá-la na desilusão
Tola
Pobre, Luizinha...
que acreditou nos poemas de amor
mas esqueceu
que algumas palavras
são símbolos
vazios
Esperança
um fio
a vontade
de viver
passa,
ela quer ficar
ofereço um chá!
feito criança
que acaba de chegar
ela tateia e brinca
ilude mais uma vez
com seus sonhos
inocentes
por favor
não me abandone,
minha querida!
a vontade
de viver
passa,
ela quer ficar
ofereço um chá!
feito criança
que acaba de chegar
ela tateia e brinca
ilude mais uma vez
com seus sonhos
inocentes
por favor
não me abandone,
minha querida!
saudade negada
ao longe
um perfume
suave
queria
desejar
que tudo
fosse
mentira
e que nada se passou,
simplesmente
apagar
um perfume
suave
queria
desejar
que tudo
fosse
mentira
e que nada se passou,
simplesmente
apagar
Assinar:
Postagens (Atom)

