quinta-feira, 28 de junho de 2012

A luta

um esforço por um copo d'água
tudo é pó
tudo é dinheiro

a batalha foi travada
um contra todos
ninguém escapa

hoje quero mais um pouco de ilusão
quero mais um pouco do que mata
a sujeira é muito pior que a escuridão
minha letra, meu desenho, tudo é nada

que dom divino é esse?
sentir e ser sensitivo?!
a troco de quê?
Lágrimas? Desejo de autodestruição?
Sofrimento?

Lutamos, então, pro sentido errado
pro lado que os olhos não chegam
rejeitado;
o escroto, o esgoto
essa é a realidade

aonde me sinto em casa
os olhos escuros
mas a alma pura

dessa melancolia;
é onde encontro conforto
a verdade, a surra, o sangue
a dor.

terça-feira, 3 de abril de 2012

The Kiss

Just like a dance
without a song
a silent waltz
synchronized together
in just one pace
yours and mine

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Sobre o palco vazio uma luz pálida ilumina, vejo as rachaduras no assoalho de madeira, não há platéia. A cortina rasgada padece sobre as colcheias, não há música, não há dança e tampouco os versos. Hoje à noite o show deve continuar. Do vazio a ninguém.

A arte perdeu sua expressão, os artistas perderam sua voz, mas ainda assim há um canto pálido e desafinado de dentro de um sonho. O carpete imundo e a escuridão ao redor, porém ainda há um último verso a ser declamado, um último canto a ser cantado.

Mesmo que seja a [des] graça da morte.

O teatro continua, pois o ator sem face e sem voz continua a sonhar. O que seria do pobre espetáculo se não fosse a graça do sonho despedaçado?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Porque estamos sempre tão sozinhos? Nosso orgulho vestido de amarelo impede-nos de reconhecer a beleza das palavras humildes.
Vendi minha alma para dela não depender mais.
Vendi por um preço muito barato, se é que já não a matei.
Faz tanto tempo que sinto falta desses encontros, eu e minha alma, que fiquei aqui esperando o tempo passar. As letras já não agradam mais e de mim vem o odor da discórdia.
Se não foi a alma que vendi então eu matei os sentidos em mim.
Sim, sim, eu matei. E sofrer não é inevitável, é escolha.
Hoje eu sinto, amanhã já não quero mais.

Tudo isso me comove ironicamente, todo esse ódio, todo esse abandono de ser.
Só sei que já não quero mais estar aqui,
junto da matéria encarnada que me dilacera,
prende e esconde dos raios solares matinais.
O risco de adoecer com a chuva é maior
que a vontade de querer viver.
Lamento por você e por mim.
Partirei agora!
Adeus.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

mais um poema inacabado



Dentro do meu peito há um grito
Intolerante e intolerável
Contido por entre as vestes
Seu desjejum é falsidade
Seu almoço a ironia
Porque esses seres são assim?
“Quem vamos ter pra hoje?”
Como um covarde que sou
Falo manso
Mas oro palavras malditas
No escuro de sua sombra
Assassino ou herói?
Somos todos assassinos
Almejando o heroísmo

De que adianta não resistir?
Ficar ou não ficar aqui?
- Não faz diferença!
Mas eu posso viver a ilusão
De uma realidade alternativa
Ou enlouquecer de verdade
Qual vai ser a escolha de hoje?

Não há lágrimas
E sim a indigestão
A dor estomacal
Quase angelical
Purifica
Liberta

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Romantismo de varanda

Ah se eu pudesse dedilhar entre seus risos
e ter em mim seu coração
seu olhar jamais padeceria
e da eterna luxuria
criaria razão

Ah se eu pudesse em tua alma cantar
e brincar de roda com teu ser
de criança a animal,
eu sei que não!

não sou única voz
não sou única escolha
não dessa vez

é quando acordo e recordo
da solidão.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Quando um olhar encontra outro

Raro
um olhar
encontrar
outro
que quando vê
foge
mais raro ainda
quando inesperadamente
se cruzam
e
por um segundo
conversam

segunda-feira, 22 de março de 2010

Me faz falta
Tudo aquilo que tenho
e mais

domingo, 14 de março de 2010

Desfoque

almas perdidas perambulando
vultos tortuosos
são seres
racionais, vertebrados;
seres humanos
desumanos, desconectados à realidade
conectados ao mundo virtual
Duas vezes ilusão [ou seria desilusão]

aonde estou?
já não me vejo mais
vejo fios, vejo telas
não mais espelhos
não mais lagos
aonde estou?

me deixa fugir
da minha própria prisão
só mais um gole
só mais um trago
e a realidade
desaparecerá, de novo

As imagens que não somem,
morrem em mim;
contra mim
quero a violência
quero a inocência [esmagada por meu próprio punho]

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Entre dois corpos

em ti me vejo
sem mim
fico entre o espaço
inapropiado, pequeno
para a existência de um ser

fugitivo, furtivo
de si, para si

tudo não basta
nada é só o começo

meu vazio começa dentro do teu
tua garganta grita, sem voz
a minha foge do próprio grito

Liberta-te
de ti
de tudo
do mundo

Dois fantasmas pairados
ante um espelho
[sem reflexo]
distantes,
sem notar a si.

resgata
resguarda
que eu já me perdi

meus dedos rachados,
as unhas encravadas;
esqueceram da habilidade
fogem do próprio abandono
da dor e fortuna

um ser sem ser.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

(clique na imagem)

se sussuro o sopro de palavras sussuro o sopro de vida

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Quimera

a rua me chama
anestesia galante
é luz, é brilho
sonho do sopro
da vida perdida
espremida
num comprimido
das cores
dos sentidos

s e n t i n d o

a loucura em mim
a insanidade possessa
da alma que se vai
e tudo que me aquém

já não suporto
todo o sangue
v e r m e l h o
que corre pelas veias
amargas de fel
corroem destroem
o que me resta
do dia
da vida
acabo em mim
pra fugir de ti
realidade
viva pra mim!
seja a mim!
mas não
hoje
eu quero só lembrar
de teus lábios
de tua doçura
que me impregna o devaneio
o demônio em mim que dorme
acorda no teu sorriso
breve, fica
só mais uma noite
fica só mais um dia
traz o sonho à vida

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Tu não sabe
se sou eu ou você
a verdade te digo:
- Te odeio.
Acredite, pois tu és escória
Fere e ri
não sabe das palavras
veste mentira e dor
não sabe de nada
- Te odeio

Curtas 1

Curtas palavras
porque longas
são vazias

***

Minha Face é a mentira
Tua Face é a verdade
Hipócrita!

***

Minha casca
não é um pedaço da minha alma
mas minha alma é um pedaço
da minha casca

domingo, 25 de outubro de 2009

o espelho não é distorcido são as pessoas que se distorcem para ele.

ser o que se vê em outrem
sê você mesmo!
mas ante tantas máscaras,
aonde tu fostes parar?
quem és tu?
diante de meus olhos
[ensanguentados]
me pergunto, ó céus
onde perdestes?
não faças poesia,
canta melodia pura
de tua alma insólita

agora só me resta perguntar
tu és o que moldaste ou és o que ocultas?
e o que ocultas não estarás tão oculto a ponto de perder-te?
e se o que moldaste faze hoje o que tu és,
como diamante, jamais deixou de ser um elemento químico.
Mas fora moldado e vos agrada mais como diamante e não bruto.
ó erro humano o de tornar tudo humano
transforma-te para a sociedade
volta dentro de ti e percebe
a falta que te faz ser o que se és
será essa a loucura maior dos homens?
querer transformar tudo e todos
idealizando o caos da perfeição
não acometas os mesmos erros do passado
será hipócrita dizer-te sê a si mesmo?!