Sobre o palco vazio uma luz pálida ilumina, vejo as rachaduras no assoalho de madeira, não há platéia. A cortina rasgada padece sobre as colcheias, não há música, não há dança e tampouco os versos. Hoje à noite o show deve continuar. Do vazio a ninguém.
A arte perdeu sua expressão, os artistas perderam sua voz, mas ainda assim há um canto pálido e desafinado de dentro de um sonho. O carpete imundo e a escuridão ao redor, porém ainda há um último verso a ser declamado, um último canto a ser cantado.
Mesmo que seja a [des] graça da morte.
O teatro continua, pois o ator sem face e sem voz continua a sonhar. O que seria do pobre espetáculo se não fosse a graça do sonho despedaçado?
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