quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Quimera

a rua me chama
anestesia galante
é luz, é brilho
sonho do sopro
da vida perdida
espremida
num comprimido
das cores
dos sentidos

s e n t i n d o

a loucura em mim
a insanidade possessa
da alma que se vai
e tudo que me aquém

já não suporto
todo o sangue
v e r m e l h o
que corre pelas veias
amargas de fel
corroem destroem
o que me resta
do dia
da vida
acabo em mim
pra fugir de ti
realidade
viva pra mim!
seja a mim!
mas não
hoje
eu quero só lembrar
de teus lábios
de tua doçura
que me impregna o devaneio
o demônio em mim que dorme
acorda no teu sorriso
breve, fica
só mais uma noite
fica só mais um dia
traz o sonho à vida

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Tu não sabe
se sou eu ou você
a verdade te digo:
- Te odeio.
Acredite, pois tu és escória
Fere e ri
não sabe das palavras
veste mentira e dor
não sabe de nada
- Te odeio

Curtas 1

Curtas palavras
porque longas
são vazias

***

Minha Face é a mentira
Tua Face é a verdade
Hipócrita!

***

Minha casca
não é um pedaço da minha alma
mas minha alma é um pedaço
da minha casca

domingo, 25 de outubro de 2009

o espelho não é distorcido são as pessoas que se distorcem para ele.

ser o que se vê em outrem
sê você mesmo!
mas ante tantas máscaras,
aonde tu fostes parar?
quem és tu?
diante de meus olhos
[ensanguentados]
me pergunto, ó céus
onde perdestes?
não faças poesia,
canta melodia pura
de tua alma insólita

agora só me resta perguntar
tu és o que moldaste ou és o que ocultas?
e o que ocultas não estarás tão oculto a ponto de perder-te?
e se o que moldaste faze hoje o que tu és,
como diamante, jamais deixou de ser um elemento químico.
Mas fora moldado e vos agrada mais como diamante e não bruto.
ó erro humano o de tornar tudo humano
transforma-te para a sociedade
volta dentro de ti e percebe
a falta que te faz ser o que se és
será essa a loucura maior dos homens?
querer transformar tudo e todos
idealizando o caos da perfeição
não acometas os mesmos erros do passado
será hipócrita dizer-te sê a si mesmo?!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

prosa versada da cantiga perdida

não sei quando foi
que te perdi
ou me perdi
só sei que aqui não estou

parti e me deixei
sem eu
sem me levar
te deixei

ao luar
sem ninguém.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

do caco à planta

Do mundo recolho
tudo que me planta
colho do colo
do chão
estilhaços perdidos

ardiloso o pé
subtrai da massa à finco
a mente
de leite
feita de pão nobre
corto em não

domingo, 23 de agosto de 2009

um grito sem rima

Hoje com muito pesar deixo as rimas, pra ouvir meus gritos internos que não podem se calar. Você e eu somos idiotas estúpidos desse sistema escrupuloso, claro todos já sabemos disso, então abaixamos a cabeça e simplesmente nos conformamos!? Fiquei a pensar se estou pra esquerda ou direita, descobri que sou HUMANISTA. Esses dias numa comemoração política e suja ouvi um belíssimo Hino Nacional, e me toquei que já não consigo mais cantar, ou fazer como todos a minha volta e fingir que canto porque ninguém mais lembra a letra, me dá vontade de chorar, chorar por tudo o que acontece desde o “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas. De um povo heróico o brado retumbante”. Me pergunto AONDE ESTÁ O POVO HERÓICO? o BRADO RETUMBANTE? Não consigo aceitar os erros ao meu redor, minha cabeça não aceita, e escolho chorar ou gritar com lágrimas nos olhos. Um caso que vem a me perturbar muito é o ensino. Os jovens hoje não sentem a necessidade de lutar por nada, porque foi implantado na sua cabeça que não se deve, que não tem “mais o que fazer”, essas pessoas não olham ao redor, com certeza, desde quando vivemos uma “democracia”? Porque não deixamos essa piada de lado e sejamos sinceros só por um dia? Você decide alguma coisa pelo seu país? NAO. E ninguém quer! Porque quem manda em você é o cara mais rico do pais que manda nos políticos. Eu simplesmente não consigo aceitar como as crianças não podem mais reprovar de ano. Pra diminuir o numero de pessoas não formadas, é simples, não deixamos elas reprovarem e fazemos do ensino um comércio, ótima solução não? Um salário mínimo não paga um ensino de qualidade, estudar num Curso Superior então, nem se fala! ou você tem tempo de só estudar ou você paga (por um ensino meia boca) e se endivida aos montes. COMO PODEMOS ACEITAR ESSA PIADA? COMO? Eu não vou abaixar minha cabeça e cobrir os olhos. Não dessa vez. Não vou dormir sonhando que está tudo bem. As ÚNICAS coisas que deveríamos ter com qualidade são as primeiras a se vender, educação, saúde e segurança.
Me pergunto até quando vamos continuar aceitando essa piada.
Não investir em educação é um bom negócio, não incentivar professores também, diminuir a carga de ensino e criar pós-graduações, mestrados, pós-mestrados, isso dá MUITO lucro, o ensino particular que dobrou o preço diminuiu sua carga de ensino pra partilhar em mais alguns anos de puro LUCRO. A faculdade lhe dá uma “base”, mas presta atenção, porque isso só acontece conosco? Porque essa “base” não é a sua especialização? O MEC é uma instituição de piada, como todas essas grandes corporações.
Seu prefeito e seu presidente pagaram TONELADAS pra uma publicidade muito boa baseada em psicologia avançada prestes a lhe convencer a votar nele, claro porque ele quer ganhar mais e morar numa mansão maior. Quem aqui mora numa mansão? Quem aqui pode ter sequer um carro na garagem? Mas a questão não é material é a base que está apodrecendo.
Sim temos que lutar, mas essa luta tem que ser verdadeira e não uma piada a se negociar.
TEM e DEVE mudar. Somos palhaços escravos das grandes corporações e dos cabeças podres. Quero um dia cantar o hino nacional com orgulho. Cansei de elite, cansei de mentiras. Não devemos lutar só.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Devaneio

Durante a noite nebulosa, ela aparece, a sombra de seu perfil desenhada nos cômodos - a ilusão, breve, desaparece, nos cantos só o cheiro e a sensação dos dedos perdidos pela maciez de seu cabelo. Se sonho fora me entorpeço e busco vivê-lo novamente. Distante, brinca de ser e estar. Só a nebulosa sabe que o sonho fora realidade.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Chanchada

severino e seu machado
passeia e corta
trabalho e comida
a manhã é fria
a noite é dura
duro mesmo é não comer
e o pão pela manhã
do café só o trago
se não aqui é na rua
quando dá toma pinga boa
na guela só a festa
e o dia ameno fica
de vez em quando
vem vizinha dormir junto
do frio ao quente e úmido
medo de severino é ficar só
e não ter mulé pra noite farrear

Homenagem à semana de 22

meu coração se enebria
com toda poesia
descaráda
amável
e mórbida
sem vez
fez-se
noite, grito e fúria
à liberdade
ser o que se é
sabendo de cada dor do passado
arregaçaram a ferida
dos calados encantos
poentes, contentes
destas palavras
o coro
dos violões
da voz lírica
do frenesi da juventude perfeita
aos vermes inóspitos
dos esquecidos

um suspiro
pela fome e o luxo
corado nas telas
moldado no barro
áspero da lucidez humana
do novo despertar
à loucura sã
de tempos calouros
sincera e ávida
à cor dos desejos
renovados, destacados
muda, molda, cria
no café com pão
ao meio dia
venero os amigos
fantasmas artistas

segunda-feira, 6 de julho de 2009

sem vez

as palavras que assombram
o semblante oculto
da mente despreparada
contempla o ódio e a ilusão
como mera verdade passageira
tudo é o não ser
inconstante da parábola
sem vez
sem dor

cála-te!

calmamente
chama
à fronte
a doçura
das belas
delicadas
sílabas
esculturas verbais
sem ação
só gesto.
dos pensamentos turvos
complexos.
sonoro


um
A

domingo, 28 de junho de 2009

lobohomem

As palavras esquecidas
soletradas por surdos
são gritos agudos
pedindo por liberdade
da própria palavra
do verbo, da gramática
ser por ser
não por existir
à noite
só a lua ouve
os berros dos lobos

Hisorinha da Chuva

chuva chora
dia e noite jorra
pétalas que chacoalham
no ar, no chão
triste o céu
ao olhar para a terra
mas não vê-la
sem seu amor

fita apenas as grades de concreto

então é quando o céu chora
sonhando, que suas pétalas
toquem o semblante
fazendo-a feliz
e com que nunca esqueça do seu amor.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Ainda sobre o suicídio literário

vago
olhar

c h e i o
d e

morte

sombrioesperaopróximo

s o p r o

deumaluz
inexistente

quinta-feira, 11 de junho de 2009

a palavra suicidou-se e dela restou apenas a sálvia queimada;


e os murmúrios
pelos muros
pelos corredores...

fica o cheiro
da morte.

Fétido
enoja
consome
Não há luz que cure
a ira
que se alastra
como droga
percorre o sangue

corpóreo
afeta
coração
que mata e morre.