terça-feira, 23 de dezembro de 2008

o inconveniente

meu perfume francês
foi inibido pelo cheiro de merda
do homem
que
ca ga va
atrás do peugeot
e com olhos culposos
viu meus olhos
curiosos

Um comentário:

Cadu disse...

Gostei dos poemas reunidos na "fruteira". Ainda não li todo o blog, vou lendo aos poucos. Acho que vou lê-lo como um livro.

É uma poesia do cotidiano. "O céu é assim azulzínhu por causa de um gáis". Reli várias vezes. Por que é gostoso ouvir. Alguma coisa da ingenuidade da frase, uma naturalidade, resoa com grafia e som de "azulzínhu" e "gáis".

Esse aqui, "o inconveniente", me fez também parar para reler algumas vezes. Inusitado o inconveniente! O "ca ga va", a separação das sílabas, dá idéia do inacreditável da cena. E mesmo o corte de cada estrofe, me parece que dá um rítimo que participa da significação. Podo ser viagem, como se diz. Mas então seu uso da materialidade das palavras dá boas viagens. Dá para reler e deixar ecoar. O fim com os olhos "curiosos" desconcerta a indignação, se faz algo cúmplice.

Não sou nenhum literato, mas tenho algumas idéias assim com seus poemas, se me permite expressá-las.

Tô curtindo,
Cadu.