segunda-feira, 24 de agosto de 2009

do caco à planta

Do mundo recolho
tudo que me planta
colho do colo
do chão
estilhaços perdidos

ardiloso o pé
subtrai da massa à finco
a mente
de leite
feita de pão nobre
corto em não

domingo, 23 de agosto de 2009

um grito sem rima

Hoje com muito pesar deixo as rimas, pra ouvir meus gritos internos que não podem se calar. Você e eu somos idiotas estúpidos desse sistema escrupuloso, claro todos já sabemos disso, então abaixamos a cabeça e simplesmente nos conformamos!? Fiquei a pensar se estou pra esquerda ou direita, descobri que sou HUMANISTA. Esses dias numa comemoração política e suja ouvi um belíssimo Hino Nacional, e me toquei que já não consigo mais cantar, ou fazer como todos a minha volta e fingir que canto porque ninguém mais lembra a letra, me dá vontade de chorar, chorar por tudo o que acontece desde o “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas. De um povo heróico o brado retumbante”. Me pergunto AONDE ESTÁ O POVO HERÓICO? o BRADO RETUMBANTE? Não consigo aceitar os erros ao meu redor, minha cabeça não aceita, e escolho chorar ou gritar com lágrimas nos olhos. Um caso que vem a me perturbar muito é o ensino. Os jovens hoje não sentem a necessidade de lutar por nada, porque foi implantado na sua cabeça que não se deve, que não tem “mais o que fazer”, essas pessoas não olham ao redor, com certeza, desde quando vivemos uma “democracia”? Porque não deixamos essa piada de lado e sejamos sinceros só por um dia? Você decide alguma coisa pelo seu país? NAO. E ninguém quer! Porque quem manda em você é o cara mais rico do pais que manda nos políticos. Eu simplesmente não consigo aceitar como as crianças não podem mais reprovar de ano. Pra diminuir o numero de pessoas não formadas, é simples, não deixamos elas reprovarem e fazemos do ensino um comércio, ótima solução não? Um salário mínimo não paga um ensino de qualidade, estudar num Curso Superior então, nem se fala! ou você tem tempo de só estudar ou você paga (por um ensino meia boca) e se endivida aos montes. COMO PODEMOS ACEITAR ESSA PIADA? COMO? Eu não vou abaixar minha cabeça e cobrir os olhos. Não dessa vez. Não vou dormir sonhando que está tudo bem. As ÚNICAS coisas que deveríamos ter com qualidade são as primeiras a se vender, educação, saúde e segurança.
Me pergunto até quando vamos continuar aceitando essa piada.
Não investir em educação é um bom negócio, não incentivar professores também, diminuir a carga de ensino e criar pós-graduações, mestrados, pós-mestrados, isso dá MUITO lucro, o ensino particular que dobrou o preço diminuiu sua carga de ensino pra partilhar em mais alguns anos de puro LUCRO. A faculdade lhe dá uma “base”, mas presta atenção, porque isso só acontece conosco? Porque essa “base” não é a sua especialização? O MEC é uma instituição de piada, como todas essas grandes corporações.
Seu prefeito e seu presidente pagaram TONELADAS pra uma publicidade muito boa baseada em psicologia avançada prestes a lhe convencer a votar nele, claro porque ele quer ganhar mais e morar numa mansão maior. Quem aqui mora numa mansão? Quem aqui pode ter sequer um carro na garagem? Mas a questão não é material é a base que está apodrecendo.
Sim temos que lutar, mas essa luta tem que ser verdadeira e não uma piada a se negociar.
TEM e DEVE mudar. Somos palhaços escravos das grandes corporações e dos cabeças podres. Quero um dia cantar o hino nacional com orgulho. Cansei de elite, cansei de mentiras. Não devemos lutar só.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Devaneio

Durante a noite nebulosa, ela aparece, a sombra de seu perfil desenhada nos cômodos - a ilusão, breve, desaparece, nos cantos só o cheiro e a sensação dos dedos perdidos pela maciez de seu cabelo. Se sonho fora me entorpeço e busco vivê-lo novamente. Distante, brinca de ser e estar. Só a nebulosa sabe que o sonho fora realidade.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Chanchada

severino e seu machado
passeia e corta
trabalho e comida
a manhã é fria
a noite é dura
duro mesmo é não comer
e o pão pela manhã
do café só o trago
se não aqui é na rua
quando dá toma pinga boa
na guela só a festa
e o dia ameno fica
de vez em quando
vem vizinha dormir junto
do frio ao quente e úmido
medo de severino é ficar só
e não ter mulé pra noite farrear

Homenagem à semana de 22

meu coração se enebria
com toda poesia
descaráda
amável
e mórbida
sem vez
fez-se
noite, grito e fúria
à liberdade
ser o que se é
sabendo de cada dor do passado
arregaçaram a ferida
dos calados encantos
poentes, contentes
destas palavras
o coro
dos violões
da voz lírica
do frenesi da juventude perfeita
aos vermes inóspitos
dos esquecidos

um suspiro
pela fome e o luxo
corado nas telas
moldado no barro
áspero da lucidez humana
do novo despertar
à loucura sã
de tempos calouros
sincera e ávida
à cor dos desejos
renovados, destacados
muda, molda, cria
no café com pão
ao meio dia
venero os amigos
fantasmas artistas

segunda-feira, 6 de julho de 2009

sem vez

as palavras que assombram
o semblante oculto
da mente despreparada
contempla o ódio e a ilusão
como mera verdade passageira
tudo é o não ser
inconstante da parábola
sem vez
sem dor

cála-te!

calmamente
chama
à fronte
a doçura
das belas
delicadas
sílabas
esculturas verbais
sem ação
só gesto.
dos pensamentos turvos
complexos.
sonoro


um
A

domingo, 28 de junho de 2009

lobohomem

As palavras esquecidas
soletradas por surdos
são gritos agudos
pedindo por liberdade
da própria palavra
do verbo, da gramática
ser por ser
não por existir
à noite
só a lua ouve
os berros dos lobos

Hisorinha da Chuva

chuva chora
dia e noite jorra
pétalas que chacoalham
no ar, no chão
triste o céu
ao olhar para a terra
mas não vê-la
sem seu amor

fita apenas as grades de concreto

então é quando o céu chora
sonhando, que suas pétalas
toquem o semblante
fazendo-a feliz
e com que nunca esqueça do seu amor.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Ainda sobre o suicídio literário

vago
olhar

c h e i o
d e

morte

sombrioesperaopróximo

s o p r o

deumaluz
inexistente

quinta-feira, 11 de junho de 2009

a palavra suicidou-se e dela restou apenas a sálvia queimada;


e os murmúrios
pelos muros
pelos corredores...

fica o cheiro
da morte.

Fétido
enoja
consome
Não há luz que cure
a ira
que se alastra
como droga
percorre o sangue

corpóreo
afeta
coração
que mata e morre.

sábado, 9 de maio de 2009

das fotos
[antigas]
veio só o cheiro
dos momentos perdidos
em vermelho sangue
[os olhos padeceram]
gritar ao ar
o ódio do lamento
encanta
o vazio
é cheio de lembranças

quinta-feira, 30 de abril de 2009

urbano

Com a taça na mão, o brilho de seus dedos pode ser visto através do vinho e choca-se diretamente com o brilho da lua, quase até disputavam espaço no invólucro alcoólico.
Noturno pensamento que se concreta; as estrelas ainda estão longe, e o vento levemente balança a cortina e seus cabelos. A solidão é só uma escolha, ou quem sabe um destino. O que realmente importa é que ainda se vê o brilho que ofusca.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

passeio noturno


Analogia ao conto Passeio Noturno I de Rubem Fonseca
sob superfície
fica face
mascarada
fantasia ilustrada
vazia
[só mais um rosto sem cara]
fita o campo
semeio ao canto
doce bela donzela
arranca do cerne
fruto da terra
brinca e pinta
com cores e nuvens
do céu sem estrelas
num palco oco
da atriz sem platéia