sexta-feira, 31 de outubro de 2008

noturna

Não quero me convencer dessa vez que sou alguém que não sou. Tampouco quero saber o que a psicologia acha disso, se meu subconsciente numa necessidade gritante de se sentir de determinada maneira agiu assim.
O que sinto é simples, curiosidade, quero ver o que irá acontecer até o fim, talvez esse seja o único sentimento realmente excitante. Em mim jaz o frio noturno, por entre as sombras fico a observar os passantes, alguns são extremamente irritantes, mas me divirto fazendo-os perder a razão. Absorvo cada momento de sua vida, absorvo sua paixão pelos outros. Até que a paixão cresce ao ponto de doer, e é esse o momento da retirada, volto à sombra observando a dor. Quão bela, já nem saberia explicar, é triste, mas fatal. Já sem vida largo o ser ali, estirado no chão úmido e frio.
As vezes confesso errar em tentar reanimar alguns corpos sem vida. Muitas vezes é em vão, volto à sombra, mais uma vez observo e escolho mais um passante. Até o fim dos dias, até o fim das vidas.
Meu corpo irá apodrecer solitário no solo seco e quente. Num horrivel dia de verão.

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